DirectQuery com Dataverse no Power BI: quando usar e como implementar

Ao desenvolver relatórios corporativos com Power BI, uma das decisões mais importantes é como os dados serão conectados ao relatório.
O Power BI oferece dois modos principais de conexão:
- Import Mode
- DirectQuery
No modo Import, os dados são copiados para dentro do dataset do Power BI.
Já no DirectQuery, os dados permanecem na fonte original — como o Dataverse — e o Power BI executa consultas diretamente sempre que um usuário interage com o relatório.
Para organizações que utilizam Power Apps, Power Automate e Dataverse como base de suas aplicações, DirectQuery pode ser a melhor escolha para construir dashboards operacionais atualizados em tempo quase real.
Neste artigo vamos ver:
- quando usar DirectQuery com Dataverse
- vantagens dessa arquitetura
- um passo a passo prático para implementação
Entendendo os modos de conexão do Power BI
Antes de implementar DirectQuery, é importante entender as diferenças entre os dois modos.
Import Mode
No Import Mode:
- O Power BI importa os dados da fonte.
- Os dados ficam armazenados no dataset.
- Os visuais consultam essa cópia em memória.
Vantagens
- desempenho muito rápido
- grande flexibilidade para cálculos DAX
- ideal para análise histórica
Limitação
Os dados só são atualizados quando ocorre um refresh do dataset.
DirectQuery
No DirectQuery:
- Os dados permanecem na fonte (Dataverse).
- O Power BI executa consultas sempre que o usuário interage com o relatório.
- Os visuais exibem dados atualizados em tempo quase real.
Isso torna o DirectQuery ideal para monitoramento operacional.
Quando usar DirectQuery com Dataverse
Em ambientes baseados em Power Platform, existem alguns cenários onde DirectQuery é especialmente útil.
1. Monitoramento de aplicações Power Apps
Imagine um aplicativo criado em Power Apps para gestão de chamados internos.
Os dados estão armazenados em tabelas do Dataverse:
Tabela Tickets
- Ticket ID
- Status
- Responsável
- Data de abertura
- Prioridade
Se o relatório usar Import Mode, gestores verão dados apenas após refresh.
Com DirectQuery, o dashboard mostra o estado atual dos chamados.
2. Monitoramento de automações com Power Automate
Muitas organizações registram no Dataverse:
- logs de automações
- execuções de fluxo
- erros de integração
Um dashboard Power BI pode mostrar:
- número de execuções por dia
- falhas de processos
- automações mais utilizadas
Com DirectQuery, essas informações são atualizadas automaticamente.
3. Aplicações corporativas baseadas em Dataverse
Soluções desenvolvidas com Power Platform podem gerar grandes volumes de dados:
- solicitações internas
- tickets
- registros de workflow
- histórico de processos
DirectQuery permite consultar esses dados diretamente sem duplicação.
Passo a passo: como usar DirectQuery com Dataverse
Agora vamos ver como implementar essa arquitetura.
Passo 1 – Estruture bem os dados no Dataverse
Antes de conectar o Power BI, verifique se o modelo de dados está bem estruturado.
Boas práticas:
- nomes claros de tabelas e colunas
- relacionamentos definidos
- evitar colunas desnecessárias
Exemplo:
Tabela Tickets
- TicketID
- Title
- Status
- CreatedDate
- Owner
Tabela Users
- UserID
- Name
- Department
Relacionamento
Tickets.Owner → Users.UserID
Isso facilita a modelagem no Power BI.


Passo 2 – Conectar o Power BI ao Dataverse
No Power BI Desktop:
- Clique em Get Data
- Selecione Dataverse
- Escolha o ambiente da Power Platform
- Selecione as tabelas desejadas
- Escolha o modo DirectQuery


Passo 3 – Modelar o dataset
Após carregar as tabelas:
- Acesse a aba Model
- Configure relacionamentos
- Ajuste direção de filtro se necessário
Exemplo
Users (1) → (N) Tickets
Isso permite análises como:
- tickets por responsável
- tickets por departamento
- tempo médio de resolução.

Passo 4 – Criar visuais eficientes
Em DirectQuery, cada visual pode gerar consultas ao Dataverse.
Boas práticas:
Evite páginas com muitos visuais complexos.
Prefira:
- indicadores resumidos
- gráficos agregados
- filtros de contexto.
Exemplo de dashboard de suporte:
- Total de tickets abertos
- Tickets por status
- Tickets por responsável
- Tempo médio de resolução
Passo 5 – Testar desempenho
Após publicar o relatório:
- Teste com múltiplos usuários
- Verifique tempo de carregamento
- Ajuste visuais se necessário
Boas práticas adicionais:
- reduzir colunas carregadas
- evitar cálculos complexos
- limitar visuais de alta cardinalidade.

Quando não usar DirectQuery
Apesar das vantagens, DirectQuery não é ideal para todos os cenários.
Considere Import Mode quando:
- relatórios exigem DAX avançado
- análise histórica é predominante
- o dataset é pequeno
- desempenho extremamente rápido é necessário.
Conclusão
DirectQuery com Dataverse é uma excelente estratégia para organizações que utilizam Power Platform como plataforma de desenvolvimento de aplicações corporativas.
Essa arquitetura permite criar dashboards que:
- refletem o estado atual dos processos
- evitam duplicação de dados
- integram Power BI com Power Apps e Power Automate
Quando bem implementado, DirectQuery permite construir relatórios operacionais escaláveis e alinhados com a arquitetura moderna da Power Platform.
Se sua organização utiliza listas do SharePoint como fonte de dados, também é possível construir relatórios atualizados no Power BI a partir dessas listas.
Veja nosso guia completo:
Como conectar Power BI ao SharePoint para relatórios em tempo real.
Veja também nosso artigo sobre Como conectar Power BI ao SharePoint para relatórios em tempo real.
Luiz Antonio Sgargeta é sócio fundador e CEO da Trinapse, consultoria brasileira de Microsoft 365 com quase duas décadas de operação, acumula mais de 20 anos em desenvolvimento de software e em ambientes corporativos de alta complexidade.
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Trabalha com SharePoint desde o SharePoint Portal Server 2003 e com .NET desde a versão 1.0. Acompanhou a plataforma em todas as suas reinvenções, do portal de documentos on-premises ao SharePoint Online dentro do Microsoft 365, o que dá a ele uma leitura rara sobre o que muda de verdade e o que é apenas nome novo para o mesmo problema.
No início da carreira atuou em uma das maiores operações de e-commerce do país, em sistemas que não toleram degradação de performance nem indisponibilidade, essa origem definiu o critério que ele aplica até hoje: solução boa é a que sustenta volume real, integra com o legado que já existe e não quebra no pico.
Depois disso, passou por praticamente todo tipo de projeto corporativo, de portais e intranets de milhares de usuários a integrações críticas e automação de processos de ponta a ponta, sempre em grandes empresas e em desafios de alta exigência.
A marca do trabalho dele é a tradução entre tecnologia e negócio, levanta a necessidade real por trás do pedido do cliente, questiona o processo antes de automatizá-lo e desenha a solução pelo resultado esperado, não pela ferramenta disponível, é o que permite conversar com a diretoria sobre retorno e com o time técnico sobre arquitetura na mesma reunião.
Hoje lidera a frente comercial e estratégica da Trinapse e conduz a empresa no novo ciclo da inteligência artificial, com foco em agentes de IA e operação de processos assistida por IA para cooperativas de crédito, agronegócio e indústria. Escreve no blog da Trinapse desde 2019, com mais de 450 artigos sobre IA, SharePoint, Power Platform, Modern Workplace e transformação de processos, sempre a partir de projeto entregue e não de teoria.



