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DirectQuery com Dataverse no Power BI: quando usar e como implementar

Luiz Antonio Sgargeta
- Sócio fundador e CEO da Trinapse, IA aplicada, Microsoft 365 e Power Platform
· 4 min de leitura
DirectQuery com Dataverse no Power BI: quando usar e como implementar

Ao desenvolver relatórios corporativos com Power BI, uma das decisões mais importantes é como os dados serão conectados ao relatório.

O Power BI oferece dois modos principais de conexão:

  • Import Mode
  • DirectQuery

No modo Import, os dados são copiados para dentro do dataset do Power BI.

Já no DirectQuery, os dados permanecem na fonte original — como o Dataverse — e o Power BI executa consultas diretamente sempre que um usuário interage com o relatório.

Para organizações que utilizam Power Apps, Power Automate e Dataverse como base de suas aplicações, DirectQuery pode ser a melhor escolha para construir dashboards operacionais atualizados em tempo quase real.

Neste artigo vamos ver:

  • quando usar DirectQuery com Dataverse
  • vantagens dessa arquitetura
  • um passo a passo prático para implementação

Entendendo os modos de conexão do Power BI

Antes de implementar DirectQuery, é importante entender as diferenças entre os dois modos.

Import Mode

No Import Mode:

  1. O Power BI importa os dados da fonte.
  2. Os dados ficam armazenados no dataset.
  3. Os visuais consultam essa cópia em memória.

Vantagens

  • desempenho muito rápido
  • grande flexibilidade para cálculos DAX
  • ideal para análise histórica

Limitação

Os dados só são atualizados quando ocorre um refresh do dataset.

DirectQuery

No DirectQuery:

  1. Os dados permanecem na fonte (Dataverse).
  2. O Power BI executa consultas sempre que o usuário interage com o relatório.
  3. Os visuais exibem dados atualizados em tempo quase real.

Isso torna o DirectQuery ideal para monitoramento operacional.

Quando usar DirectQuery com Dataverse

Em ambientes baseados em Power Platform, existem alguns cenários onde DirectQuery é especialmente útil.

1. Monitoramento de aplicações Power Apps

Imagine um aplicativo criado em Power Apps para gestão de chamados internos.

Os dados estão armazenados em tabelas do Dataverse:

Tabela Tickets

  • Ticket ID
  • Status
  • Responsável
  • Data de abertura
  • Prioridade

Se o relatório usar Import Mode, gestores verão dados apenas após refresh.

Com DirectQuery, o dashboard mostra o estado atual dos chamados.

2. Monitoramento de automações com Power Automate

Muitas organizações registram no Dataverse:

  • logs de automações
  • execuções de fluxo
  • erros de integração

Um dashboard Power BI pode mostrar:

  • número de execuções por dia
  • falhas de processos
  • automações mais utilizadas

Com DirectQuery, essas informações são atualizadas automaticamente.

3. Aplicações corporativas baseadas em Dataverse

Soluções desenvolvidas com Power Platform podem gerar grandes volumes de dados:

  • solicitações internas
  • tickets
  • registros de workflow
  • histórico de processos

DirectQuery permite consultar esses dados diretamente sem duplicação.

Passo a passo: como usar DirectQuery com Dataverse

Agora vamos ver como implementar essa arquitetura.

Passo 1 – Estruture bem os dados no Dataverse

Antes de conectar o Power BI, verifique se o modelo de dados está bem estruturado.

Boas práticas:

  • nomes claros de tabelas e colunas
  • relacionamentos definidos
  • evitar colunas desnecessárias

Exemplo:

Tabela Tickets

  • TicketID
  • Title
  • Status
  • CreatedDate
  • Owner

Tabela Users

  • UserID
  • Name
  • Department

Relacionamento

Tickets.Owner → Users.UserID

Isso facilita a modelagem no Power BI.

Tela do Dataverse no Power Apps mostrando as colunas da tabela Tarefa utilizadas em modelos de dados integrados ao Power BI.

Interface do Dataverse no Power Apps exibindo os relacionamentos da tabela Tarefa e suas conexões com outras tabelas no modelo de dados da Power Platform.

Passo 2 – Conectar o Power BI ao Dataverse

No Power BI Desktop:

  1. Clique em Get Data
  2. Selecione Dataverse
  3. Escolha o ambiente da Power Platform
  4. Selecione as tabelas desejadas
  5. Escolha o modo DirectQuery

Tela do Power BI Desktop selecionando Dataverse como fonte de dados para conexão via SQL endpoint e criação de relatórios.

Tela Navigator do Power BI mostrando a lista de tabelas do Dataverse conectadas ao ambiente da Power Platform.

Passo 3 – Modelar o dataset

Após carregar as tabelas:

  1. Acesse a aba Model
  2. Configure relacionamentos
  3. Ajuste direção de filtro se necessário

Exemplo

Users (1) → (N) Tickets

Isso permite análises como:

  • tickets por responsável
  • tickets por departamento
  • tempo médio de resolução.

Tela de modelagem do Power BI exibindo o relacionamento entre tabelas no modelo de dados utilizado para criação de relatórios.

Passo 4 – Criar visuais eficientes

Em DirectQuery, cada visual pode gerar consultas ao Dataverse.

Boas práticas:

Evite páginas com muitos visuais complexos.

Prefira:

  • indicadores resumidos
  • gráficos agregados
  • filtros de contexto.

Exemplo de dashboard de suporte:

  • Total de tickets abertos
  • Tickets por status
  • Tickets por responsável
  • Tempo médio de resolução

Passo 5 – Testar desempenho

Após publicar o relatório:

  1. Teste com múltiplos usuários
  2. Verifique tempo de carregamento
  3. Ajuste visuais se necessário

Boas práticas adicionais:

  • reduzir colunas carregadas
  • evitar cálculos complexos
  • limitar visuais de alta cardinalidade.

Ferramenta Performance Analyzer no Power BI Desktop usada para avaliar e otimizar o desempenho de dashboards e consultas.

Quando não usar DirectQuery

Apesar das vantagens, DirectQuery não é ideal para todos os cenários.

Considere Import Mode quando:

  • relatórios exigem DAX avançado
  • análise histórica é predominante
  • o dataset é pequeno
  • desempenho extremamente rápido é necessário.

Conclusão

DirectQuery com Dataverse é uma excelente estratégia para organizações que utilizam Power Platform como plataforma de desenvolvimento de aplicações corporativas.

Essa arquitetura permite criar dashboards que:

  • refletem o estado atual dos processos
  • evitam duplicação de dados
  • integram Power BI com Power Apps e Power Automate

Quando bem implementado, DirectQuery permite construir relatórios operacionais escaláveis e alinhados com a arquitetura moderna da Power Platform.

Se sua organização utiliza listas do SharePoint como fonte de dados, também é possível construir relatórios atualizados no Power BI a partir dessas listas.
Veja nosso guia completo:
Como conectar Power BI ao SharePoint para relatórios em tempo real.

Veja também nosso artigo sobre Como conectar Power BI ao SharePoint para relatórios em tempo real.

Luiz Antonio Sgargeta
Sócio fundador e CEO da Trinapse, IA aplicada, Microsoft 365 e Power Platform

Luiz Antonio Sgargeta é sócio fundador e CEO da Trinapse, consultoria brasileira de Microsoft 365 com quase duas décadas de operação, acumula mais de 20 anos em desenvolvimento de software e em ambientes corporativos de alta complexidade.

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Trabalha com SharePoint desde o SharePoint Portal Server 2003 e com .NET desde a versão 1.0. Acompanhou a plataforma em todas as suas reinvenções, do portal de documentos on-premises ao SharePoint Online dentro do Microsoft 365, o que dá a ele uma leitura rara sobre o que muda de verdade e o que é apenas nome novo para o mesmo problema.

No início da carreira atuou em uma das maiores operações de e-commerce do país, em sistemas que não toleram degradação de performance nem indisponibilidade, essa origem definiu o critério que ele aplica até hoje: solução boa é a que sustenta volume real, integra com o legado que já existe e não quebra no pico.

Depois disso, passou por praticamente todo tipo de projeto corporativo, de portais e intranets de milhares de usuários a integrações críticas e automação de processos de ponta a ponta, sempre em grandes empresas e em desafios de alta exigência.

A marca do trabalho dele é a tradução entre tecnologia e negócio, levanta a necessidade real por trás do pedido do cliente, questiona o processo antes de automatizá-lo e desenha a solução pelo resultado esperado, não pela ferramenta disponível, é o que permite conversar com a diretoria sobre retorno e com o time técnico sobre arquitetura na mesma reunião.

Hoje lidera a frente comercial e estratégica da Trinapse e conduz a empresa no novo ciclo da inteligência artificial, com foco em agentes de IA e operação de processos assistida por IA para cooperativas de crédito, agronegócio e indústria. Escreve no blog da Trinapse desde 2019, com mais de 450 artigos sobre IA, SharePoint, Power Platform, Modern Workplace e transformação de processos, sempre a partir de projeto entregue e não de teoria.

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