SharePoint Copilot Apps: da intenção à ação no M365
SharePoint Copilot Apps chega em preview no SPFx 1.24: Copilot cuida da intenção, o app executa a ação com validação, permissão e governança real.

É comum ver processos de contratação, aprovação de fornecedores ou onboarding totalmente automatizados até o momento de gerar o documento final. Ali o fluxo para. Alguém baixa o PDF, anexa em um e-mail, espera o cliente assinar, cobra por telefone, recebe de volta um arquivo escaneado torto e sobe manualmente numa pasta do SharePoint. Esse trecho manual costuma ser o mais lento do processo inteiro, justamente porque depende de terceiros fora da organização.
O Power Automate resolve essa lacuna integrando com o Docusign através de um conector nativo. É possível gerar o documento a partir de um modelo Word, montar um envelope de assinatura, definir a ordem dos signatários, posicionar os campos de assinatura e data, e disparar o envio, tudo dentro de um único fluxo, sem sair da plataforma nem depender de um humano para operar o portal do Docusign.
Antes de montar o fluxo vale entender o vocabulário do Docusign, porque cada termo vira uma ação distinta no conector do Power Automate.
Esse modelo de objetos é o mesmo, seja você operando pelo portal do Docusign ou pela API que o conector do Power Automate consome por baixo dos panos.
O Docusign oferece uma conta de desenvolvedor gratuita, pensada para testes e aprendizado. Nenhum envelope enviado por uma conta de desenvolvedor tem validade jurídica, mesmo que o fluxo funcione perfeitamente do ponto de vista técnico. Use essa conta para validar a lógica do fluxo. Quando o processo estiver pronto para produção, é necessário migrar para um plano pago do Docusign, que já inclui acesso à API usada pelo conector.
O Power Automate expõe dois conectores distintos: Docusign, que aponta para o ambiente de produção, e Docusign Demo, que aponta para o ambiente sandbox associado à conta de desenvolvedor. As ações dentro de cada conector são praticamente idênticas, mas apontam para ambientes diferentes. Um erro comum é montar todo o fluxo com o conector Demo, validar em testes e esquecer de trocar para o conector de produção antes de liberar para uso real. Vale documentar essa troca como um item explícito de checklist de deploy.
Docusign é um conector premium no Power Automate. Isso significa que o ambiente precisa de um plano que inclua acesso a conectores premium, seja via licença Power Automate por usuário, seja via plano por fluxo. Sem essa licença, o fluxo aceita a ação no design, mas falha na execução com erro de permissão. Vale confirmar esse ponto de licenciamento antes de prometer prazo para o projeto, porque é um custo que costuma escapar do orçamento inicial de automação.
O documento que vai para assinatura precisa ter marcadores de texto nos pontos onde os campos de assinatura e data devem aparecer. Esses marcadores servem como anchor string. Crie o modelo em Word (por exemplo Contrato de Prestacao de Servico.docx) e insira no corpo do texto, exatamente onde a assinatura deve aparecer, tags delimitadas por barras:
/assinaturacliente/
/dataassinaturacliente/
/assinaturaprestador/
/dataassinaturaprestador/
Cada tag funciona como uma variável de texto. O nome entre as barras pode ser qualquer identificador, desde que seja único dentro do documento e coincida exatamente com o valor usado depois na ação de tabs do Power Automate. Se o mesmo texto aparecer em outro trecho do documento por coincidência, o Docusign posiciona a tab no primeiro ponto encontrado, o que pode gerar um campo de assinatura no lugar errado. Vale escolher identificadores pouco prováveis de se repetir, como /assinaturacliente_v1/, em vez de algo genérico como /assinatura/.
No Power Automate, crie um fluxo instantâneo (ou acionado por evento, dependendo do gatilho do seu processo, como a conclusão de uma aprovação anterior). Adicione a ação Docusign Demo (ou Docusign) – Create Envelope. Preencha:
Essa ação apenas cria o envelope em estado de rascunho. Ele ainda não contém documentos, signatários nem campos.
Use a ação OneDrive for Business – Get File Content Using Path apontando para o caminho completo do arquivo, incluindo pasta e extensão:
/Modelos de Documento/Contrato de Prestacao de Servico.docxEm seguida adicione Docusign – Add Documents To An Envelope, referenciando o Envelope Id retornado pela ação de criação. O Docusign não aceita o arquivo DOCX diretamente no corpo bruto: é preciso converter o conteúdo para Base64. No campo Document Base64, use a expressão:
base64(body('Get_file_content_using_path'))Informe também o tipo do documento (docx) e um nome de exibição para o arquivo dentro do envelope, como Contrato de Prestação de Serviço. Esse nome é o que aparece para o signatário na interface do Docusign, então vale ser descritivo.
O contrato deste exemplo precisa de duas assinaturas, em ordem: primeiro o cliente, depois o prestador de serviço. Adicione uma ação Docusign – Add Recipient To An Envelope (V2) com os seguintes valores:
O Signing Order é o que garante o sequenciamento. Se dois signatários receberem o mesmo número de ordem, o Docusign os trata como paralelos e ambos recebem o e-mail ao mesmo tempo, o que pode não ser o comportamento desejado num contrato onde a assinatura do prestador só faz sentido depois da aceitação do cliente.
Com o Recipient Id retornado pela ação anterior, adicione uma ação Docusign – Add Tabs For A Recipient On An Envelope. Escolha o tipo de tab Signature e informe a Anchor String exatamente igual à tag usada no documento:
/assinaturacliente/Adicione uma segunda ação de tabs, agora do tipo Date Signed, apontando para:
/dataassinaturacliente/Cada tipo de tab exige uma ação separada. Não existe uma única chamada que resolva assinatura e data ao mesmo tempo para o mesmo recipient.
Duplique os passos 4 e 5 para o prestador de serviço, alterando apenas o Signing Order para 2 e usando as tags correspondentes:
/assinaturaprestador/
/dataassinaturaprestador/Neste ponto o fluxo já tem: um envelope criado, um documento anexado em Base64, dois destinatários com ordens distintas e quatro tabs distribuídas entre eles.
A última ação é Docusign – Send Envelope, informando o Envelope Id. Até esse momento o envelope permanece em rascunho e nenhum e-mail sai. É essa ação que efetivamente dispara a notificação para o primeiro signatário da fila.
As tags de âncora (/assinaturacliente/ e as demais) continuam visíveis no documento mesmo depois que o Docusign posiciona as tabs sobre elas. O campo de assinatura é desenhado por cima do texto, mas o texto original permanece impresso por baixo, o que deixa o documento com uma aparência de rascunho técnico. A correção é simples e fácil de esquecer: no modelo Word, selecione o texto de cada tag e mude a cor da fonte para branco, igualando ao fundo da página. O Docusign continua lendo o texto normalmente para posicionar a tab, mas visualmente a tag desaparece para o signatário.
Com a ordem de assinatura configurada como sequencial, o primeiro signatário recebe o e-mail do Docusign, abre o documento, visualiza o campo de assinatura na posição definida pela anchor string e assina. A data é preenchida automaticamente. Só então o Docusign libera o envelope para o segundo signatário, que vê a assinatura anterior já aplicada e adiciona a sua. Ao concluir, o segundo signatário finaliza o envelope, e o Docusign distribui o documento completo, junto com o certificado de conclusão, para todos os envolvidos.
Vale desenhar, já nesta etapa do projeto, o que acontece se um signatário recusar assinar ou deixar o envelope expirar sem ação. O Docusign dispara eventos de status (como declined, voided ou expired) que podem ser capturados por um segundo fluxo via Docusign Connect (webhook) ou por um gatilho de polling que consulta o status do envelope periodicamente. Sem esse tratamento, o processo de negócio fica sem visibilidade sobre envelopes que travaram no meio do caminho.
Depois que o envelope é concluído, o PDF final e o certificado de conclusão podem ser salvos automaticamente numa biblioteca de documentos do SharePoint, fechando o ciclo sem intervenção manual. Isso normalmente é feito num segundo fluxo, acionado pelo evento de conclusão do envelope (via Docusign Connect) ou por um gatilho agendado que verifica envelopes concluídos e baixa o conteúdo assinado usando a ação de recuperação de documento do conector Docusign, seguida de Create File no SharePoint. Separar essa lógica num fluxo próprio evita acoplar o processo de envio ao processo de arquivamento, que tem gatilhos e frequência de execução diferentes.
Automatizar a coleta de assinatura fecha um dos últimos elos manuais de processos que já rodam majoritariamente dentro do Microsoft 365. Se esse tipo de integração faz sentido para os seus fluxos de contrato, aprovação ou onboarding, a equipe da Trinapse pode ajudar a desenhar a arquitetura certa entre Power Automate, Docusign e SharePoint.
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