Power Platform

Generative Pages no Power Apps: conectores em preview

Luiz Antonio Sgargeta
- Sócio fundador e CEO da Trinapse, IA aplicada, Microsoft 365 e Power Platform
· 10 min de leitura
Generative Pages ganham suporte a conectores fora do Dataverse

O que você vai conseguir montar e por que isso importa para a cooperativa

Este tutorial mostra como montar uma generative page no Power Apps usando dados que não estão no Dataverse, aproveitando o suporte a conectores do Power Platform que chegou em preview público em setembro de 2026. Até então, generative pages só liam tabelas do Dataverse. Agora dá para apontar a página gerada por IA para uma lista do SharePoint, uma tabela do SQL Server ou qualquer outro serviço que já tenha um conector no ambiente.

Para quem trabalha em cooperativa de crédito, isso resolve um problema recorrente. O core bancário costuma rodar em SQL Server on-premises ou em nuvem privada, fora do alcance direto do Dataverse, e os documentos de análise de crédito, atas de comitê e checklists de PLD/KYC costumam viver em bibliotecas do SharePoint. Migrar tudo isso para o Dataverse antes de construir qualquer app é caro e demorado. Com conectores em generative pages, dá para montar uma tela dentro do app de atendimento ao associado que já mostra o status da proposta de crédito puxando direto do SQL, ou os documentos anexados puxando direto da biblioteca do SharePoint, sem replicar dado nenhum.

O recurso está em preview público. A Microsoft classifica assim porque a lista de conectores suportados ainda é limitada, o comportamento pode mudar sem aviso prévio e não há SLA de disponibilidade. Não é recomendado para um processo crítico de concessão de crédito neste momento, mas é o ambiente certo para prototipar e validar antes que o recurso vire GA.

Pré-requisitos antes de abrir o designer

Confira cada item abaixo antes do primeiro clique. A maior fonte de frustração neste tutorial não é o passo a passo em si, é começar sem os pré-requisitos prontos.

  • Licença: Power Apps per-user ou per-app premium. Generative pages já exigem premium por rodarem sobre Dataverse, e conectores como SQL Server são classificados como premium por padrão, então o app inteiro puxa a licença mais alta assim que você adiciona esse conector.
  • Papel no tenant: System Administrator ou System Customizer no ambiente Dataverse para publicar solução e criar componentes. Para criar a connection reference, o mínimo é o papel Environment Maker.
  • Ambiente: um ambiente com Dataverse habilitado. Generative pages vivem dentro de um app model-driven, então sem Dataverse provisionado o recurso nem aparece no designer.
  • Recursos em preview ligados: no Power Platform admin center, abra o ambiente de destino em Environments > [seu ambiente] > Settings > Product > Features e confirme que os recursos em versão prévia estão habilitados para o ambiente. Sem isso, a opção de conectores simplesmente não é oferecida dentro da generative page.
  • Connection reference já criada: este é o ponto que mais gera erro. O suporte a conectores em generative pages não cria a conexão para você. Ele só lista connection references que já existem no ambiente.
  • Política de DLP compatível: se o conector SharePoint ou SQL estiver classificado em um grupo de política de perda de dados diferente do grupo do Dataverse, ele simplesmente não vai aparecer na lista de conectores disponíveis dentro do designer.

Criando a connection reference com antecedência

Antes de tocar na generative page, vá em make.powerapps.com, abra a solução onde o seu app model-driven vive e siga o caminho New > More > Connection Reference. Escolha o conector (SharePoint ou SQL Server, por exemplo), autentique com uma conta de serviço, não com a conta pessoal de quem está construindo o app, e salve. Usar conta de serviço evita que a conexão quebre no dia em que o analista que criou a página sai da cooperativa ou troca de área.

Só depois de ver a connection reference listada dentro da solução é que faz sentido abrir o designer da generative page.

Sequência de cinco passos para conectar uma generative page a dados fora do Dataverse via Add data e Connectors

Passo a passo pelo designer da generative page

Passo 1 - Abrir ou criar a generative page

Dentro do app model-driven, no app designer, vá em Pages > New page > Generative page. Se você já tem uma generative page criada sobre uma tabela do Dataverse, pode reaproveitá-la e simplesmente adicionar um conector adicional, não é preciso começar do zero.

Descreva a página em linguagem natural. Por exemplo, para o time de crédito de uma cooperativa: "Mostrar as propostas de crédito em análise, com número da proposta, valor solicitado, status e analista responsável." O Copilot gera uma primeira versão da página com base nessa descrição, geralmente sugerindo uma tabela do Dataverse se ela existir com nome parecido.

Passo 2 - Ir em Add data e escolher Connectors

Este é o passo central deste tutorial. No canvas da generative page, clique em Add data. Antes do suporte a conectores, essa opção só listava tabelas do Dataverse. Agora existe uma segunda entrada, Connectors, ao lado de Tables.

Clique em Add data > Connectors. O designer lista as connection references já configuradas no ambiente, é por isso que o passo anterior é obrigatório. Se a lista vier vazia, o problema quase sempre é um destes três: a connection reference não existe, o recurso preview não está habilitado no ambiente, ou a política de DLP está separando o conector do grupo do Dataverse.

Passo 3 - Selecionar a connection reference e o dado

Escolha a connection reference que você criou (por exemplo, a que aponta para o SharePoint da cooperativa). O designer então pede que você escolha o dado dentro daquele conector: no caso do SharePoint, a biblioteca de documentos ou a lista; no caso do SQL Server, o banco e a tabela ou view.

Uma recomendação prática aqui: se o dado vem de uma tabela SQL do core bancário com nomes de coluna genéricos ou pouco descritivos, crie antes uma view no banco com nomes de coluna legíveis. O Copilot gera um layout melhor quando os nomes das colunas já fazem sentido semântico, em vez de COL_04 ou VLR_PROP.

Passo 4 - Mapear campos e refinar com prompt

Depois de escolher a fonte, mapeie os campos que a página deve exibir. Você pode continuar refinando por linguagem natural, pedindo ajustes como "ordenar por data de submissão, mais recente primeiro" ou "esconder propostas com status encerrado". O Copilot reprocessa o layout usando o novo binding de dados sem que você precise editar Power Fx manualmente, embora a opção de editar a fórmula continue disponível para quem quiser ajuste fino.

Passo 5 - Testar no preview e publicar

Use o modo de preview do próprio designer para confirmar que os registros carregam. Depois, publique a solução normalmente pelo fluxo padrão do Power Apps. Como o recurso está em preview, teste em um ambiente que não seja de produção antes de expor a página aos analistas de crédito.

Caminho alternativo: gerar a página com ferramentas de IA no terminal

A Microsoft também abriu esse mesmo fluxo para quem prefere trabalhar por ferramentas de geração de código com IA, como o GitHub Copilot CLI ou o Claude Code, usando o skill de generative pages ou o skill mais amplo de app-builder para apps model-driven inteiros. A diferença é que, em vez de navegar pelo designer visual, você descreve o que precisa e o agente conduz a escolha do conector.

O fluxo funciona assim: você escreve o pedido em linguagem natural, o agente identifica que o dado pedido não está no Dataverse, lista as connection references disponíveis no ambiente e pergunta qual delas usar antes de gerar o binding. Nada é aplicado sem essa confirmação.

Preciso de uma generative page para o app de atendimento a associados.
A página deve mostrar os documentos de análise de crédito armazenados
na biblioteca do SharePoint "AnaliseCredito", filtrados pelo campo
NumeroProposta, que vem como parâmetro recordId da página.

Use a connection reference já existente para o site
https://cooperativaexemplo.sharepoint.com/sites/Credito

O agente responde apontando as connection references encontradas no ambiente, pede confirmação de qual delas usar (é aqui que a connection reference precisa já existir, exatamente como no designer) e então gera a definição da página. O artefato final é um componente padrão de Power Apps e Dataverse, editável depois tanto pelo próprio agente quanto pelo designer visual, sem lock-in de um ou outro caminho.

Para quem já usa esse tipo de ferramenta no dia a dia de desenvolvimento, essa é a via mais rápida de prototipar várias generative pages seguidas sem sair do terminal. Para quem prefere controle visual e validação passo a passo com o time de negócio olhando a tela, o designer continua sendo o caminho mais direto.

Como validar que deu certo

Depois de configurar o conector, confirme os seguintes pontos antes de considerar o trabalho concluído:

  • Dentro de Add data, a connection reference aparece listada com o nome que você definiu, não com um identificador genérico.
  • O preview do designer mostra registros reais vindos do SharePoint ou do SQL, não uma tela vazia ou um placeholder.
  • Os campos mapeados batem com o schema de origem. Se o SQL tiver uma coluna decimal para valor da proposta, ela precisa aparecer formatada como número, não como texto.
  • Depois de publicar, abrir a app final e navegar até a generative page carrega o dado sem exibir mensagem de erro de recuperação de dados.
  • Se você usou o caminho da CLI, verifique na solução exportada que o artefato gerado referencia a connection reference correta, e não uma conexão de exemplo criada automaticamente pelo agente.

Se você quiser confirmar de forma mais estruturada em qual grupo de DLP um conector está classificado, dá para consultar as políticas configuradas no tenant com o módulo oficial de administração:

powershell
Install-Module -Name Microsoft.PowerApps.Administration.PowerShell -Force
Add-PowerAppsAccount
Get-AdminDlpPolicy | Select-Object DisplayName, PolicyName, CreatedBy

O resultado confirma quais políticas existem no tenant. Para ver em qual grupo (negócio, sem negócio ou bloqueado) cada conector foi classificado dentro de uma política específica, o caminho mais confiável ainda é abrir a política pela interface do Power Platform admin center, em Policies > Data policies, e revisar a aba de conectores.

Erros comuns e a causa de cada um

  • A lista de conectores aparece vazia dentro de Add data > Connectors. Causa mais frequente: nenhuma connection reference foi criada no ambiente antes de abrir a generative page. O designer não cria a conexão para você neste preview.
  • O conector SQL Server não aparece mesmo com a connection reference criada. Causa: política de DLP colocando o conector SQL em um grupo diferente do Dataverse. Nesse cenário o conector existe no ambiente, mas fica invisível para o recurso de generative pages porque a combinação de grupos está bloqueada.
  • Mensagem "this connector isn't supported in generative pages yet" ou equivalente. Causa: nem todo conector do catálogo do Power Platform tem suporte no preview atual. A lista de conectores compatíveis é curada pela Microsoft e deve crescer com o tempo, mas hoje é limitada.
  • Autenticação intermitente ao acessar dados do SharePoint. Causa quase sempre é a connection reference ter sido criada com a credencial pessoal de um usuário, não com uma conta de serviço. Quando a senha expira ou o usuário perde acesso ao site, a página para de carregar dado sem aviso claro.
  • Layout gerado pelo Copilot não faz sentido com os dados do SQL. Causa comum: a tabela de origem tem nomes de coluna técnicos demais. Criar uma view intermediária com nomes de negócio resolve a maior parte desses casos.
  • Recurso de conectores simplesmente não aparece no designer. Causa: o toggle de recursos em preview não foi habilitado para aquele ambiente específico no Power Platform admin center. Esse ajuste é por ambiente, não por tenant inteiro.

O que muda com esse recurso ainda em preview

Vale reforçar: como o suporte a conectores em generative pages está em preview público, a lista de conectores compatíveis, o comportamento de DLP e até os nomes exatos das opções no menu podem mudar antes da disponibilidade geral. Trate o que foi construído aqui como protótipo validável, não como componente definitivo do app de produção da cooperativa até que o recurso saia do preview.

Dito isso, a direção é clara. Model-driven apps deixam de exigir que todo dado relevante esteja no Dataverse antes de aparecer numa tela gerada por IA, e isso reduz bastante o trabalho de replicação de dado que hoje trava projetos de modernização em instituições financeiras com core bancário legado e documentação espalhada entre SharePoint e outros sistemas.

Quando esse tipo de decisão de arquitetura entra em jogo, geralmente vale conversar antes de investir tempo de time em prototipagem sem direção. A Trinapse acompanha esse tipo de avaliação com cooperativas de crédito que estão decidindo onde vale a pena centralizar dado no Dataverse e onde vale manter o dado na origem e conectar via generative pages.

Luiz Antonio Sgargeta
Sócio fundador e CEO da Trinapse, IA aplicada, Microsoft 365 e Power Platform

Luiz Antonio Sgargeta é sócio fundador e CEO da Trinapse, consultoria brasileira de Microsoft 365 com quase duas décadas de operação, acumula mais de 20 anos em desenvolvimento de software e em ambientes corporativos de alta complexidade.

Ver maisVer menos

Trabalha com SharePoint desde o SharePoint Portal Server 2003 e com .NET desde a versão 1.0. Acompanhou a plataforma em todas as suas reinvenções, do portal de documentos on-premises ao SharePoint Online dentro do Microsoft 365, o que dá a ele uma leitura rara sobre o que muda de verdade e o que é apenas nome novo para o mesmo problema.

No início da carreira atuou em uma das maiores operações de e-commerce do país, em sistemas que não toleram degradação de performance nem indisponibilidade, essa origem definiu o critério que ele aplica até hoje: solução boa é a que sustenta volume real, integra com o legado que já existe e não quebra no pico.

Depois disso, passou por praticamente todo tipo de projeto corporativo, de portais e intranets de milhares de usuários a integrações críticas e automação de processos de ponta a ponta, sempre em grandes empresas e em desafios de alta exigência.

A marca do trabalho dele é a tradução entre tecnologia e negócio, levanta a necessidade real por trás do pedido do cliente, questiona o processo antes de automatizá-lo e desenha a solução pelo resultado esperado, não pela ferramenta disponível, é o que permite conversar com a diretoria sobre retorno e com o time técnico sobre arquitetura na mesma reunião.

Hoje lidera a frente comercial e estratégica da Trinapse e conduz a empresa no novo ciclo da inteligência artificial, com foco em agentes de IA e operação de processos assistida por IA para cooperativas de crédito, agronegócio e indústria. Escreve no blog da Trinapse desde 2019, com mais de 450 artigos sobre IA, SharePoint, Power Platform, Modern Workplace e transformação de processos, sempre a partir de projeto entregue e não de teoria.

LinkedIn
Compartilhar:

Precisa aplicar isso na sua empresa? Fale com nossos especialistas.

Falar com um especialista