Como usar Work IQ para melhorar análises no Power BI

O Power BI é uma das principais ferramentas para transformar dados em relatórios, dashboards e indicadores de negócio. Porém, muitas vezes o número apresentado no relatório não conta toda a história.
Uma queda nas vendas, por exemplo, pode estar relacionada a uma campanha que não performou bem, atraso em uma negociação, mudança de estratégia comercial ou até decisões discutidas em reuniões internas.
É nesse ponto que o Work IQ ganha importância.
O Work IQ é a camada de inteligência da Microsoft que ajuda o Copilot a entender melhor o contexto do trabalho dentro da organização, considerando informações como documentos, reuniões, mensagens, arquivos, pessoas e dados corporativos.
Quando combinado com o Power BI, o Work IQ permite que a análise de dados seja mais contextual. Ou seja, além de olhar para os números do relatório, o Copilot pode ajudar o usuário a entender o que pode estar por trás daquele resultado.
Cenário de uso: análise de vendas com Power BI e Work IQ
Imagine uma empresa que acompanha suas vendas mensais em um relatório do Power BI.
Esse relatório possui indicadores como:
- faturamento mensal;
- meta de vendas;
- vendas por região;
- vendas por vendedor;
- produtos mais vendidos;
- margem de lucro;
- comparação com meses anteriores.
Em um cenário tradicional, o gestor acessa o relatório, identifica que uma região ficou abaixo da meta e precisa procurar manualmente o motivo em outros lugares, como e-mails, reuniões, planilhas ou documentos compartilhados.
Com o uso do Copilot, Power BI e Work IQ, essa análise pode ser mais simples.
O usuário pode fazer uma pergunta em linguagem natural, como:
Por que a região Sudeste ficou abaixo da meta de vendas neste mês?
A partir disso, o Copilot pode apoiar a análise dos dados disponíveis no Power BI e, quando integrado ao contexto corporativo por meio do Work IQ, ajudar a relacionar essa informação com documentos, reuniões e interações recentes da equipe.
Na prática, o Power BI mostra os dados.
O Copilot ajuda a interpretar.
O Work IQ adiciona o contexto do trabalho.
Exemplo prático para demonstrar
Para este exemplo, considere um relatório de vendas no Power BI com uma queda de faturamento na região Sudeste.
Passo 1: Acessar o relatório no Power BI
O gestor abre o relatório de vendas e identifica que a região Sudeste está abaixo da meta.


Passo 2: Fazer uma pergunta ao Copilot
Dentro da experiência do Power BI com Copilot, o usuário pode fazer uma pergunta como:
Analise o desempenho da região Sudeste neste mês e explique os principais motivos da queda em relação à meta.
O Copilot pode gerar uma resposta resumindo os principais pontos do relatório, como:
- queda no faturamento;
- redução no volume vendido;
- produtos com menor saída;
- vendedores ou clientes com baixa performance;
- comparação com meses anteriores.
Passo 3: Adicionar contexto com Work IQ
Agora o usuário pode explorar uma pergunta mais contextual:
Com base nos dados de vendas e nas informações recentes da equipe comercial, existe algum contexto que ajude a explicar a queda da região Sudeste?
Nesse cenário, o Work IQ pode ajudar o Copilot a considerar informações relacionadas ao trabalho da equipe, como documentos, reuniões, mensagens e arquivos corporativos acessíveis ao usuário.
Por exemplo, a resposta poderia indicar que:
- houve uma reunião recente sobre atraso em negociações importantes;
- a campanha comercial da região Sudeste teve baixa adesão;
- alguns clientes estratégicos postergaram compras;
- a equipe registrou dificuldades em determinados produtos;
- existe um documento interno com plano de ação para recuperação da meta.
Passo 4: Transformar a análise em ação
Depois de entender o motivo da queda, o gestor pode pedir ao Copilot uma sugestão de plano de ação:
Com base nessa análise, crie um plano de ação para recuperar a meta da região Sudeste no próximo mês.
A resposta pode sugerir ações como:
- revisar os principais clientes em queda;
- priorizar vendedores com maior carteira ativa;
- reforçar produtos com melhor margem;
- criar uma campanha específica para a região;
- acompanhar semanalmente a evolução da meta;
- envolver a liderança comercial nas negociações críticas.
Como o Work IQ melhora o uso do Power BI
O Work IQ melhora o uso do Power BI porque adiciona contexto às análises.
Em vez de o usuário olhar apenas para gráficos e tabelas, ele pode fazer perguntas mais próximas da realidade do negócio.
Exemplo sem Work IQ:
Qual região vendeu menos neste mês?
Exemplo com uma experiência mais contextual usando Work IQ:
Qual região vendeu menos neste mês e quais informações recentes da equipe podem explicar esse resultado?
Essa diferença é importante porque os dados do Power BI mostram o que aconteceu, mas o contexto do trabalho ajuda a entender por que aconteceu.
Com isso, a empresa pode tomar decisões mais rápidas, reduzir análises manuais e aproximar os relatórios da rotina real das áreas de negócio.
Conclusão
O Power BI continua sendo a base para criar relatórios, dashboards e indicadores. Porém, com o avanço do Copilot e do Work IQ, a análise de dados passa a ser mais inteligente e contextual.
O Copilot ajuda o usuário a conversar com os dados em linguagem natural. Já o Work IQ amplia essa experiência ao trazer contexto do ambiente corporativo, como documentos, reuniões, mensagens e informações relacionadas ao trabalho.
Na prática, essa combinação permite que os usuários não apenas visualizem números, mas entendam melhor o que está acontecendo no negócio e quais ações podem ser tomadas.
Para empresas que já utilizam Microsoft 365, Power BI e Power Platform, o Work IQ representa uma oportunidade de tornar as análises mais conectadas, acessíveis e orientadas à ação.
Luiz Antonio Sgargeta é sócio fundador e CEO da Trinapse, consultoria brasileira de Microsoft 365 com quase duas décadas de operação, acumula mais de 20 anos em desenvolvimento de software e em ambientes corporativos de alta complexidade.
Ver maisVer menos
Trabalha com SharePoint desde o SharePoint Portal Server 2003 e com .NET desde a versão 1.0. Acompanhou a plataforma em todas as suas reinvenções, do portal de documentos on-premises ao SharePoint Online dentro do Microsoft 365, o que dá a ele uma leitura rara sobre o que muda de verdade e o que é apenas nome novo para o mesmo problema.
No início da carreira atuou em uma das maiores operações de e-commerce do país, em sistemas que não toleram degradação de performance nem indisponibilidade, essa origem definiu o critério que ele aplica até hoje: solução boa é a que sustenta volume real, integra com o legado que já existe e não quebra no pico.
Depois disso, passou por praticamente todo tipo de projeto corporativo, de portais e intranets de milhares de usuários a integrações críticas e automação de processos de ponta a ponta, sempre em grandes empresas e em desafios de alta exigência.
A marca do trabalho dele é a tradução entre tecnologia e negócio, levanta a necessidade real por trás do pedido do cliente, questiona o processo antes de automatizá-lo e desenha a solução pelo resultado esperado, não pela ferramenta disponível, é o que permite conversar com a diretoria sobre retorno e com o time técnico sobre arquitetura na mesma reunião.
Hoje lidera a frente comercial e estratégica da Trinapse e conduz a empresa no novo ciclo da inteligência artificial, com foco em agentes de IA e operação de processos assistida por IA para cooperativas de crédito, agronegócio e indústria. Escreve no blog da Trinapse desde 2019, com mais de 450 artigos sobre IA, SharePoint, Power Platform, Modern Workplace e transformação de processos, sempre a partir de projeto entregue e não de teoria.



