Licenciamento Copilot Studio Agosto: Guia de Créditos por Harness

Por Luiz Antonio Sgargeta
Licenciamento Copilot Studio Agosto: Guia de Créditos por Harness

O que o guia de licenciamento Copilot Studio agosto muda na prática

O guia de licenciamento do Copilot Studio publicado em agosto de 2026 formaliza algo que muitas equipes de TI de cooperativas de crédito e indústrias já vinham sentindo no bolso: o consumo não é mais medido por assento nem por agente publicado. É medido por harness, a estrutura que dá a um agente a capacidade de planejar, raciocinar e agir. E o mesmo documento fecha uma brecha que rodava solta há meses: testar um agente no canal de preview do Copilot Studio deixou de ser, por definição da própria Microsoft, uma atividade gratuita.

Este tutorial mostra como traduzir essa mudança em rotina de governança. Ao final, sua equipe vai saber mapear os harnesses em uso no tenant, zerar o limite de créditos do ambiente de desenvolvimento para testar sem risco de fatura, ler corretamente o Analytics Dashboard do Copilot Studio e montar uma política de harness por tipo de agente. Isso importa especialmente para quem já opera agentes de atendimento a associados, análise de proposta de crédito, conciliação de notas fiscais ou backoffice de contas a pagar, cenários em que um teste mal calculado em ambiente de desenvolvimento pode gerar uma linha de consumo inesperada no fechamento do mês.

Pré-requisitos

  • Licença: Microsoft Copilot Studio (licenciamento por usuário ou Copilot Studio Capacity Pack contratado via CSP) e, para agentes publicados em canais autenticados do Microsoft 365, licença Microsoft 365 Copilot para os usuários finais.
  • Papel no Microsoft Entra ID: Power Platform Administrator ou Dynamics 365 Administrator, necessário para acessar o Power Platform Admin Center e alterar configurações de ambiente.
  • Papel no ambiente Dataverse: System Administrator no ambiente onde os agentes estão publicados, para consultar o inventário de bots e ajustar limites.
  • Ambiente: um ambiente de desenvolvimento separado de produção, de preferência configurado como Managed Environment. Nunca faça este teste no Default Environment, motivo explicado na seção de erros comuns.
  • Acesso administrativo: Power Platform Admin Center (admin.powerplatform.microsoft.com) e Microsoft 365 Admin Center, para cruzar os dois painéis de consumo.

Passo a passo: auditar, zerar e testar com segurança

Sequência de seis passos para auditar, zerar o limite e testar o consumo de créditos do Copilot Studio por harness

Passo 1: mapear os harnesses já ativos no tenant

Antes de mexer em qualquer limite, você precisa saber o que já está rodando. O guia de agosto recomenda consultar o Power Platform Inventory pela propriedade isCLIAgent, que identifica agentes construídos sobre o GitHub Copilot Harness, o mais caro dos três. O script abaixo é um ponto de partida, adapte a autenticação ao padrão de segurança da sua organização, seja via Service Principal, seja via login interativo do administrador.


# Requer o módulo Microsoft.PowerApps.Administration.PowerShell
# e um usuário com o papel Power Platform Administrator

Connect-AdminPowerApp

$ambientes = Get-AdminPowerAppEnvironment

foreach ($env in $ambientes) {
    $url = "$($env.EnvironmentUrl)/api/data/v9.2/bots?`$filter=isCLIAgent eq true&`$select=name,createdon,_ownerid_value"

    $resultado = Invoke-RestMethod -Uri $url -Headers @{
        Authorization = "Bearer $accessToken"
    } -Method Get

    $resultado.value | Select-Object name, _ownerid_value, @{n='Ambiente';e={$env.DisplayName}}
}

O resultado te dá três coisas de uma vez: quais agentes usam o harness que cobra em dobro, em qual ambiente eles vivem e quem é o dono. É a linha de base antes de qualquer política de limite.

Passo 2: entender como cada harness cobra

O guia confirma três harnesses e três comportamentos de cobrança diferentes. Essa diferença é o ponto central de qualquer decisão de arquitetura de agente daqui para frente.

HarnessUso típicoCobra na criaçãoCobra em runtime
GitHub Copilot HarnessProcessos de negócio ponta a ponta, como conciliação de notas fiscais com pedidos de compra ou triagem de propostas de créditoSim, sempreSim, sempre, sem carve-out de uso justo
Standard HarnessAgentes conversacionais baseados em tópicos e fluxos predefinidos, como onboarding de associado ou FAQ de linha de créditoSim, quando há autoria com IA generativaGeralmente cai em limites de uso justo, se publicado em canal autenticado do Microsoft 365
Copilot Chat HarnessExtensão do Microsoft 365 Copilot com fontes de conhecimento próprias, como políticas de crédito publicadas no SharePointSim, mesma lógica do StandardMesma lógica do Standard, limites de uso justo em canal Microsoft

A diferença prática é dura: um agente de contas a pagar construído sobre GitHub Copilot Harness cobra crédito toda vez que ele é executado, sem exceção. Um agente de onboarding no Standard Harness, publicado dentro do Teams para colaboradores autenticados, tende a rodar sob limites de uso justo, ou seja, sem custo adicional de crédito na maior parte dos cenários. Isso muda a equação de qual harness escolher para cada caso de uso.

Passo 3: zerar o limite de créditos do ambiente de desenvolvimento

Este é o passo que protege seu orçamento durante testes. No Power Platform Admin Center, acesse Environments, selecione o ambiente de desenvolvimento, abra Settings, depois Product e finalmente Copilot Studio. Ali existe o campo de limite de mensagens do ambiente. Defina esse limite como zero antes de qualquer sessão de teste.

O racional é simples: com o limite zerado, nenhum crédito faturado pode ser consumido naquele ambiente. Isso não bloqueia o trabalho de teste, porque, como o próprio guia de agosto documenta, o teste no painel de preview roteia pelo canal pva-studio, tratado pela Microsoft como um sandbox de criador protegido para fins de faturamento direto. O que muda é que agora esse consumo aparece registrado como crédito não faturado, e não simplesmente inexistente.

Passo 4: testar no canal pva-studio e ler o Analytics Dashboard

Com o limite zerado, rode os testes normalmente pelo painel de preview do Copilot Studio, seja testando um agente de análise de propostas de crédito, seja um assistente de manutenção preditiva. Depois, abra o agente no maker portal, vá em Analytics e observe os dois indicadores lado a lado: créditos faturados e créditos não faturados.

Espera-se que, com o limite em zero, o contador de créditos faturados permaneça em zero durante os testes em preview, enquanto o contador de créditos não faturados sobe conforme o volume de interações de teste. Isso confirma duas coisas ao mesmo tempo: que o limite está funcionando como trava de segurança financeira, e que o consumo real do teste está sendo registrado, não descartado.

A armadilha aqui é achar que preview continua sendo sempre gratuito. Empiricamente, por meses, foi. O guia de agosto de 2026 mudou isso ao listar explicitamente o Preview como uma experiência de criação com IA generativa sujeita a Copilot Credits, junto com autoria em linguagem natural e Evaluation. A configuração não faturada continua existindo por enquanto, mas ela deixou de ser uma garantia contratual. É comportamento documentado sujeito a ajuste, não uma isenção permanente.

Passo 5: formalizar a política de harness por tipo de agente

Com o mapeamento do Passo 1 e a tabela de cobrança do Passo 2 em mãos, defina por escrito qual harness cada tipo de agente deve usar. Uma regra simples que funciona bem em cooperativas de crédito e em plantas industriais: reserve o GitHub Copilot Harness para automações de alto valor e baixo volume, como o cruzamento de documentos em uma análise de crédito ou a conciliação mensal de notas fiscais com pedidos de compra. Mantenha os agentes de alto volume e baixo risco, como triagem de dúvidas frequentes de associados ou orientação de onboarding de colaborador, no Standard Harness ou no Copilot Chat Harness, publicados em canais autenticados do Microsoft 365 para aproveitar os limites de uso justo.

Passo 6: cruzar consumo no Power Platform Admin Center e no M365 Admin Center

Não confie em premissa de trimestre anterior. Consulte os relatórios de consumo de Copilot Studio no Power Platform Admin Center, seção Billing, e confirme o mesmo número no Microsoft 365 Admin Center, em Billing > Your products. Os dois painéis devem contar a mesma história. Se um deles mostrar volume muito acima do outro, normalmente é sinal de um agente publicado fora de um canal Microsoft autenticado, o que remove o carve-out de uso justo sem aviso explícito ao criador do agente.

Sobre orçamento em reais: a tabela de preços oficial da Microsoft para Copilot Credits e Capacity Packs é publicada em dólar. Não tente converter de cabeça nem fixar uma taxa interna informal. Peça a cotação em reais diretamente ao seu distribuidor CSP ou ao gestor de conta Microsoft, e trate o valor resultante como a referência de orçamento mensal a ser monitorada nos dois admin centers acima, não como um cálculo aproximado feito internamente.

Como validar que a configuração está correta

Você saberá que o processo funcionou quando, após testes intensos em preview no ambiente de desenvolvimento com o limite zerado, o Analytics Dashboard mostrar créditos faturados em zero e créditos não faturados em um número visivelmente maior que zero. Se o contador de créditos faturados subir mesmo com o limite em zero, o teste não está passando pelo canal pva-studio, provavelmente porque o agente foi publicado em um canal de produção durante o teste, e não testado diretamente pelo painel de preview do maker portal.

Confirme também, no Power Platform Admin Center, que o ambiente de desenvolvimento aparece com o limite de mensagens configurado como zero na tela de Settings do Copilot Studio, e não em branco ou como “sem limite”, que é o comportamento padrão de fábrica.

Erros comuns e armadilhas

  • Achar que preview é sempre gratuito. Era um comportamento observado, não uma garantia documentada. O guia de agosto fechou essa lacuna e agora lista Preview explicitamente como experiência sujeita a créditos. Monitore o Analytics Dashboard do seu próprio tenant em vez de assumir o comportamento de meses anteriores.
  • Confundir limite de uso justo com uso ilimitado. Standard Harness e Copilot Chat Harness rodam sob limites de uso justo em canais Microsoft, mas a Microsoft pode ajustar esses limites conforme o padrão de uso do tenant evolui. Uso justo não é sinônimo de teto fixo nem de gratuidade permanente.
  • Deixar a criação de agentes liberada no Default Environment. Sem um Managed Environment, não há controle centralizado de harness nem trava de armazenamento do Dataverse, e o time de negócio pode publicar um agente sobre GitHub Copilot Harness sem que o time de TI saiba, até a fatura chegar.
  • Publicar um agente Standard fora de um canal Microsoft autenticado. Um canal customizado ou uma integração não autenticada remove o carve-out de uso justo silenciosamente. O agente continua funcionando, só que agora consumindo crédito faturado a cada execução.
  • Esperar alerta automático de orçamento. Usuários finais e criadores de agente (Agent Makers) não recebem notificação de consumo de crédito. A responsabilidade de monitorar é inteiramente do administrador de TI.

Fechamento

O guia de agosto não tornou o Copilot Studio mais caro por definição, tornou a cobrança mais visível e mais dependente de decisão de arquitetura. Escolher o harness certo para cada agente, zerar o limite de créditos antes de testar e cruzar os dois admin centers deixou de ser boa prática opcional e virou rotina de governança básica para quem já opera agentes em produção. A Trinapse acompanha cooperativas de crédito e indústrias exatamente nesse ponto, traduzindo guias de licenciamento em política de consumo que a área de TI consegue sustentar mês a mês.

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