Dataverse sem mistério: o que é e por que é o coração da Power Platform

Por Luiz Antonio Sgargeta
Dataverse sem mistério: o que é e por que é o coração da Power Platform

Se você já criou um app no Power Apps, automatizou um processo no Power Automate ou montou um fluxo simples para organizar solicitações internas, sabe como começa: uma lista no SharePoint aqui, uma planilha ali, e tudo funciona… até o dia em que o app cresce.

Aí surgem perguntas que não cabem mais em “lista e coluna”: quem pode ver o quê?, quem alterou esse registro?, como manter histórico?, como garantir consistência quando várias áreas usam o mesmo dado? É exatamente nesse ponto que o Dataverse começa a fazer sentido.

Neste artigo, a ideia é descomplicar: explicar o que é Dataverse, por que ele se tornou uma peça central na Microsoft Power Platform, e em quais situações ele costuma ser a melhor escolha.

Visão geral do diagrama do Microsoft Power Platform com Power BI, Power Apps, Power Automate, Power Virtual Agents e Power Pages na parte superior com conectores de dados, AI Builder e Dataverse na parte inferior.

O que é o Dataverse, na prática

O Dataverse é uma plataforma de dados da Microsoft pensada para armazenar e organizar informações de negócio usadas por aplicativos e automações. Em termos simples: ele funciona como uma base de dados estruturada, mas com recursos prontos para cenários corporativos — como segurança por função, relacionamentos entre dados, governança e rastreabilidade.

Ele funciona como a “camada de dados” que conecta, de forma consistente, aplicativos, fluxos e relatórios dentro da Power Platform.

Se você já viu soluções onde cada app tem sua planilha, cada área tem sua lista e ninguém sabe qual é a “versão correta” do dado, o Dataverse entra justamente para reduzir esse tipo de fragmentação.


Por que ele é diferente de “só um banco de dados”

É comum ouvir: “Dataverse é um banco”. Ele pode ser usado como banco, mas a proposta vai além.

Ele foi feito para apps e processos (não só armazenamento)

Em muitos projetos, o problema não é “guardar dados”. É garantir que os dados representem um processo: status, etapas, aprovações, responsáveis, prazos, histórico e validações. O Dataverse ajuda a estruturar isso de forma nativa e mais alinhada ao que um app corporativo precisa.

Segurança e governança vêm no DNA

Quando uma solução sai do piloto e entra em produção, quase sempre aparece a necessidade de:

  • restringir acesso por área/cargo,
  • proteger dados sensíveis,
  • separar ambientes (desenvolvimento, homologação e produção),
  • padronizar como dados são criados e consumidos.

O Dataverse foi pensado para esse tipo de realidade corporativa.

Auditoria e rastreabilidade deixam de ser “gambiarra”

Em muitos cenários, você precisa responder perguntas simples — e importantes:

  • Quem alterou o status?
  • Quando mudou?
  • O que estava antes?

Com fontes como planilhas e listas simples, isso tende a virar controle paralelo. Com Dataverse, a solução passa a ter uma base mais preparada para esses requisitos.


Os blocos básicos do Dataverse

Você não precisa virar “especialista em dados” para entender o Dataverse. No nível introdutório, pense assim:

  • Tabelas: onde você organiza informações por assunto (ex.: Solicitações, Colaboradores, Equipamentos).
  • Colunas: os campos de cada tabela (ex.: Data, Status, Centro de custo, Responsável).
  • Registros: cada item cadastrado (uma solicitação específica, um colaborador específico).
  • Relacionamentos: como uma informação se liga a outra (ex.: uma Solicitação tem vários Itens; um Colaborador pode ter várias Solicitações).
  • Regras e validações: para evitar “dado solto” ou incoerente (ex.: não deixar concluir sem responsável).

O diferencial é que esses elementos são pensados para que o app e o fluxo trabalhem com dados consistentes, com regras e segurança.


Onde o Dataverse aparece no dia a dia da Power Platform

Uma forma fácil de enxergar o Dataverse é como o “meio do caminho” entre aplicações, automações e análises:

  • Power Apps: cria a experiência (telas, formulários, operações).
  • Dataverse: guarda e organiza o dado de forma estruturada e governada.
  • Power Automate: executa o processo (aprovação, notificações, integrações).
  • Power BI: transforma dados em visão gerencial (indicadores, relatórios, tendências).

O resultado é uma solução mais “de plataforma” e menos “de improviso”.


Mitos comuns sobre Dataverse

“Dataverse é só para Dynamics/CRM”

Não. Ele é muito usado em cenários de CRM, mas também serve para processos internos, operações, RH, financeiro, facilities, HSE, compras, TI e muito mais — qualquer contexto onde dados e processo caminham juntos.

“É complexo demais”

Ele pode ficar complexo se o projeto cresce sem planejamento (como qualquer solução). Mas no começo, dá para começar simples: poucas tabelas, bons nomes, regras básicas e segurança bem definida.

“SharePoint faz a mesma coisa”

SharePoint é excelente para documentos e para listas simples (muita gente começa por ali com razão). A diferença aparece quando o projeto pede relacionamentos, controle fino de acesso, governança, integridade de dados e processos mais formais.

“Serve para qualquer caso”

Não. E esse é um ponto importante. Existem cenários em que usar Dataverse seria “canhão para matar mosquito”.


Quando NÃO faz sentido usar Dataverse

Nem toda solução precisa de Dataverse. Ele pode não ser a melhor escolha quando:

  • o app é pequeno e pontual;
  • o dado é simples, sem relacionamento entre tabelas;
  • não existe necessidade real de auditoria, rastreabilidade ou segurança por função;
  • o processo não vai crescer e nem virar “oficial” na operação;
  • a equipe quer apenas organizar informações rápidas com baixa criticidade.

Nesses casos, SharePoint ou até uma base já existente pode atender muito bem.


Conclusão: Dataverse é decisão de governança, não só de tecnologia

Em geral, a pergunta correta não é “qual é o banco?”. É:
esse processo vai virar parte importante da operação?
Se a resposta for sim, e se houver necessidade de segurança, rastreabilidade, relacionamento entre dados e padronização, o Dataverse tende a ser um caminho mais sólido dentro da Power Platform.

Na Parte 2, eu vou mostrar 7 cenários onde o Dataverse costuma fazer muita diferença e um checklist simples para decidir entre Dataverse, SharePoint, SQL ou outras opções sem dor de cabeça.


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