Dataverse por dentro: tabelas, relacionamentos e segurança

Por Fernando Viana e Sá
Dataverse por dentro: tabelas, relacionamentos e segurança

No primeiro artigo, a gente viu por que o Dataverse vira o “coração” da Power Platform quando o app deixa de ser um piloto e passa a precisar de governança, segurança e consistência.
Agora é hora de entender o que faz o Dataverse funcionar bem no mundo real — sem entrar em tecnicês desnecessários.

A ideia aqui é simples: explicar como o Dataverse se organiza, quais decisões importam (e quais costumam dar dor de cabeça), e como montar uma base pronta para crescer. No próximo artigo, aí sim, a gente entra em cenários práticos e checklist de decisão.


Dataverse não começa no app — começa no modelo de dados

Quando alguém diz “vamos usar Dataverse”, a tentação é criar uma tabela e começar a jogar campos dentro, do jeito que faríamos numa planilha.

Funciona por alguns dias. Depois aparecem sintomas conhecidos:

  • duplicidade de informação (“qual é o cadastro certo?”)
  • dificuldade para filtrar e reportar
  • integrações quebrando por falta de padrão
  • permissões confusas (“quem pode editar o quê?”)

No Dataverse, a parte mais valiosa não é “guardar dados”, é modelar bem desde cedo.


Tabelas: pense em “coisas” do seu processo, não em telas

Uma regra prática: tabela representa uma entidade do negócio, não uma tela do aplicativo.

Exemplos de entidades comuns:

  • Solicitação
  • Item da solicitação
  • Colaborador
  • Equipamento
  • Aprovação
  • Unidade / Centro de custo

Se você cria tabela “Tela1”, “Cadastro2”, “FormulárioNovo”, quase sempre está sinalizando que o modelo vai ficar confuso e difícil de manter.

Dica simples: nomeie tabelas pelo “substantivo” do processo.

Lista de tabelas no Microsoft Dataverse no Power Apps.

Colunas: menos é mais (e tipo de dado é decisão estratégica)

Coluna não é só “um campo”. A escolha do tipo de dado define como você valida, filtra, integra e reporta.

Alguns exemplos clássicos:

  • Status (melhor como opção/choice do que texto livre)
  • Datas (para SLA, prazos, auditoria)
  • Valores (número/moeda para relatórios)
  • Responsável (referência a usuário/equipe)
  • Categoria (padronizada, para evitar variações)

Quando você deixa campos críticos como texto livre (“aprovado”, “Aprovado”, “APROVADO”), o app começa a “mentir” nos relatórios.


Relacionamentos: onde o Dataverse começa a brilhar

Na prática, a maioria dos processos corporativos não cabe numa lista única. Eles têm “um registro principal” e coisas relacionadas.

Exemplos fáceis de visualizar:

  • SolicitaçãoItens (uma solicitação tem vários itens)
  • ColaboradorEntregas (um colaborador tem várias entregas)
  • AtivoManutenções (um ativo tem várias manutenções)

Quando você estrutura isso com relacionamentos, você ganha:

  • navegação mais natural no app
  • consistência (evita duplicar dados)
  • relatórios melhores
  • integrações menos frágeis

Em outras palavras: você para de “simular banco” em planilha.

Designer de colunas de uma tabela no Dataverse no Power Apps.

Regras e validações: o Dataverse ajuda você a impedir “dado errado”

Um app corporativo normalmente precisa impedir situações do tipo:

  • concluir sem responsável
  • aprovar sem anexos obrigatórios
  • enviar para a etapa errada
  • cadastrar item sem vínculo ao registro principal

A base bem modelada + regras claras fazem o app depender menos de “alerta na tela” e mais de consistência de verdade.


Segurança: o ponto que separa “projeto” de “plataforma”

Aqui está um dos maiores motivos para Dataverse existir no contexto corporativo.

Em projetos reais, você quase sempre precisa de:

  • perfis diferentes (usuário final, gestor, admin)
  • restrição por área/unidade
  • dados sensíveis com acesso controlado
  • pessoas que podem ver, mas não editar

Uma forma simples de pensar é:

  • quem cria
  • quem aprova
  • quem executa
  • quem audita
  • quem administra

Se isso não está claro, o app cresce e a segurança vira retrabalho.

Permissões de segurança (security roles) no Dataverse.

Ambientes e governança: quando sua empresa quer padronizar (de verdade)

Quando o time começa a criar vários apps e fluxos, surgem necessidades práticas:

  • separar dev / homologação / produção
  • organizar ownership de soluções
  • evitar duplicidade de tabelas e cadastros
  • manter padrões de nome, status e estrutura

Esse tema pode ficar profundo — mas o essencial é: Dataverse faz mais sentido quando você quer consistência no conjunto, não só em um app.


Erros comuns (que parecem pequenos no começo)

  1. Modelar como planilha (um “tabelão” com tudo)
  2. Texto livre para campos críticos (status/categorias)
  3. Duplicar cadastros (um “Colaborador” por app)
  4. Ignorar segurança e tentar “arrumar depois”
  5. Nomes sem padrão (vira caos em integrações e BI)

Conclusão: antes de “usar Dataverse”, aprenda a pensar Dataverse

Se o primeiro artigo respondeu “o que é e por que importa”, este segundo fecha a lacuna que muita gente sente: como estruturar do jeito certo para não virar retrabalho.

Quer estruturar seu Dataverse do jeito certo desde o início?
Fale com a Trinapse e evite retrabalho com modelagem, segurança e governança na Power Platform.

Ver mais artigos

Entre em Contato

Vamos juntos transformar sua dor
em solução!

#moveFast